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Coisas que vi

O GIGANTE BRASIL ACORDOU?


Hoje o que teria era a sexta poética, mas depois do que vi ontem à noite participando da manifestação no Centro da cidade e hoje pela manhã passando pela avenida, com muitas lojas, placas, semáforos e pontos de ônibus destruídos é impossível permanecer alheia aos últimos acontecimentos que temos presenciado em nosso País. 


E já está mais do que provado que toda essa manifestação e ida pra rua da população brasileira estará presente nos próximos livros de história.

E claro, vou poder dizer: Eu estive presente e vi o momento em que o povo brasileiro acordou de um sono profundo e foi em busca do penhor dessa igualdade.

Sim, nós estávamos anestesiados, iludidos com o título de classe média que nos foi dado, com a falsa percepção de cidadão conectado, conformados com a possibilidade de ir ao shopping e acessar internet do celular com 3G e ao voltar pra casa fingir que aquele garoto que tá no sinal é problema do Governo não lembrando que o Governo somos nós que definimos.

Como ainda era criança na época do impeachment do presidente Collor e tava mais preocupada em viajar apenas no fantástico mundo de Bob não sabia o que significava toda aquela “baboseira” de “O poder emana do povo” e, portanto, não havia ainda participado de forma presencial de uma onda de protestos desse nível.

Por isso, ontem ao participar da manifestação que tomou conta da Avenida Presidente Vargas aqui no Rio foi impossível não se deixar envolver por um turbilhão de emoções.

No primeiro momento uma manifestação pacífica.
Vi idosos, jovens e crianças caminhando, cantando e levando cartazes com suas reivindicações, algumas sérias, outras em tom de chacota, mas todas bem vindas.
Vi estudantes e trabalhadores com uma mesma expressão no rosto que parecia querer revelar a mesma exclamação: BASTA!

Claro que não é apenas por 20 centavos! É por tantos milhões que ano após ano evaporaram dos cofres públicos e terminaram deitados eternamente em pouquíssimos cofres particulares.
É pela corrupção que se alastra no Congresso Nacional e todos que lá estão fingem que nada aconteceu. É por todo dinheiro na cueca que ninguém viu.
É por todo o dinheiro “jogado fora” em obras superfaturadas como os estádios construídos no padrão FIFA que após a Copa não servirão para o padrão Brasil sem escolas e hospitais.

Mas, é preciso que toda essa manifestação, todo esse grito de “Olá, políticos. Eu sei o que vocês estão fazendo e já não aguento mais” tenha realmente um efeito real sobre todas as mazelas que vivemos até agora.
É preciso que todos não façam a Bela Adormecida e se acomodem mais uma vez, satisfazendo-se com as tarifas de ônibus que tiveram seus preços baixados com a intenção de fazer o povo parar com toda essa balbúrdia logo no período da Copa das Confederações, atrapalhando toda a grade esportiva da grande rede de televisão.

Não se trata de migalhas!

É por isso que mesmo depois de voltar a pagar R$ 2,75 a população continua na rua, pois isso é apenas a ponta do iceberg.
É por isso que ontem no primeiro momento da manifestação da Candelária até a Prefeitura foi lindo, foi ordeiro, foi pacífico, foi emocionante! Tive tempo até de olhar a lua que nos acompanhava.

 Mas, o que presenciamos depois foi um cenário de guerra!
Consegui escapar sem nenhum arranhão. Consegui água no exato momento em que o gás se aproximava dificultando a respiração. Consegui voltar pra casa sem passar pelo hospital, mas muitos não conseguiram.

Sim, houve muita depredação, manifestantes radicais e, claro, vândalos que apenas se aproveitam da situação pra fazer “o bagulho ficar doido”. Porém, o que me causou certo pânico e me fez pensar “O que vim fazer aqui!?” foi a ação truculenta da polícia do senhor Sérgio Cabral, jogando bombas até mesmo dentro de hospitais, obrigando todo mundo a recuar da Prefeitura, encurralando pessoas que gritavam “Sem violência!”
Portanto, o senhor Sérgio Cabral dizer que a polícia “apenas” reagiu é uma grande mentira!
Apenas reagir não é deixar em pânico com o barulho das bombas jogadas por todos os lados e o efeito do gás lacrimogêneo pessoas que estavam protestando ordeiramente, entre elas crianças que foram atingidas.
Apenas reagir não é encurralar as pessoas que esperavam a liberação do metrô na Central do Brasil pra voltar pra casa.
Apenas reagir não é jogar gás lacrimogêneo dentro de ônibus e hospital.

O povo, esse sim tem motivos pra reagir.
E parece que não vai parar enquanto não conseguir. E está sendo preciso conquistar com braço forte o que o pertence!

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