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Coisas que vi



FLORES RARAS

 Muitos brasileiros menosprezam os filmes produzidos cá nessas terras tupiniquins. Alguns com argumentos que julgam apropriados e taxativos, outros apenas seguem a onda e preferem filmes com efeitos especiais mirabolantes onde explosões arrancam cabeças e bla bla bla...
Eu, porém, sempre me senti muito à vontade para assistir filmes nacionais, desarmada de um olhar severo e crítico, até mesmo porque não sou crítica de cinema ou literatura, e chego a achar tal profissão ingrata, pois parece que esses malogrados profissionais com suas canetas reprovativas em mãos fazem questão de destacar pontos negativos.

Eis então que essa semana me propus a assistir a produção nacional “Flores Raras” apenas por diversão, como se deve ser quando você resolve ir ao cinema. Claro, alertada sobre certo burburinho em relação ao filme tentei não levar em consideração opiniões de outrem, mas tirar minhas próprias conclusões.
Pude perceber, então, que os muitos prejulgamentos sobre a obra se davam em razão de “além de ser um filme brasileiro, é apenas um filme que conta a história de um casal homossexual”. Lixo Puro! É o que se poderia pensar

Aí está o engano.
Flores Raras conta uma história onde a sexualidade das personagens é apenas um detalhe.

No entanto, uma dica: se você for “homofóbico fundamentalista” recomendo que não passe perto da sala do cinema onde o filme esteja em exibição porque, sim, tem cenas de beijos entre duas mulheres.

Voltando ao filme, o que mais chamou atenção foi a boa história particular das personagens principais em meio à História do Brasil que se desenrolava na época.
A ideia central mostra duas mulheres com características distintas no início: a obstinação de uma, com toda sua autoconfiança; e a sensibilidade da outra, em meio às suas fraquezas.
Na verdade, é uma concepção sobre perdas, onde os participantes na relação amorosa (e uma relação amorosa tem os mesmos elementos que a impulsionam, seja hétero ou homossexual) estão sujeitos a uma inversão, quando quem se mostrava forte vai enfraquecendo e quem era fraca impõe sua força.
Em meio a este cenário surge alguns lampejos da vida política brasileira que se passa no Estado da Guanabara nas décadas de 50 e 60.
E nisto descobre-se que o parque urbanístico do Aterro do Flamengo, um importante espaço de lazer até hoje, (e, particularmente, um dos lugares que mais me encantou desde que cheguei ao Rio) cuja autoria é toda dada a Roberto Burle Marx, na verdade foi idealizado e projetado por Lota de Macedo, com toda sua obstinação e por vezes excentricidade, criando assim uma espécie de “Central Park tropical”. 
E essa é outra parte interessante do desenrolar do filme, reflexões que surgem em meio ao desconhecimento de biografias interessantíssimas como as de Lota de Macedo e Elizabeth Bishop: enquanto Bishop foi reconhecida em sua nação por sua obra, ganhando inclusive um dos maiores prêmios da área de literatura, o Pulitzer, no Brasil Lota de Macedo é relegada.

E isso faz voltar ao parágrafo inicial, onde nós brasileiros relegamos a nós mesmos. É.

Enfim, se vai ser indicado ao Oscar ou não, se o Brasil mais uma vez vai ser desbancado frente às grandes produções norte-americanas ou não, "Flores Raras" é uma história baseada em fatos reais que mostra de forma sutil e bem definida o encontro de duas culturas representadas por duas mulheres com características distintas e que faz refletir sobre quão difícil é vencer as próprias fraquezas, onde em um dado momento do filme uma diz à outra: “você não é forte o suficiente para sobreviver sem mim”.

Será?

Basta assistir e tirar as próprias conclusões. =)



Comentários

  1. Fiquei com muita vontade de assistir o filme agora depois de ler a critica do Blog...parabéns a autora!!

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    Respostas
    1. Opa! Que ótimo que consegui despertar o seu interesse pelo filme. :) Valeu, Djalda!

      Excluir

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